sábado, 13 de junho de 2009
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Histórias da Revolução
Gritava desespero.
Olhei,
Não vi nada.
Não devia ser nada.
Falei,
senti medo nas minhas palavras.
Um Deus controla sempre os nossos passos.
Sentei-me encostado à parede.
Os jornais voam pelo chão, anunciam o fim das trevas,
Um manhã de luz !
Um dia brilhante.
A parede suspirou, ousava surripiar-me,
Enquanto me embalava.
Corri para onde não houvesse paredes.
Aprendi que não choram.
Eu ardia por dentro,
E alguém viu fumo e me denunciou.
Agora estou calado,
Suspeito mesmo de mim.
Um Ode ao Romancismo
Como deve ser, e bem estruturado, como é suposto,
Pelo seu ardente autor.
O romance começa no olhar,
Pelo menos,
Ao que parece,
Assim o faz.
Revolve-se nele, gesticula por entre todos os tons,
Os brilhos, a púlpebra que semi ascende num tom apaixonado,
Ou descende num tom doce e aprasivo,
E lança-se fulminante sobre o outro olhar,
Que o fita em extâse.
Então, no meu caminho de casa para a escola,
Fito dez vezes, apaixono-me por metade e sonho por todas elas.
Conheço, enfim, sou amigo de imensa gente,
Bela, ordeira, decente,
Que nem um quarto de vezes se apaixona como eu por dia ! Eu cá,
vivo do sonho.
O sonho é um romance. Mas e um romance de sonho ?
Um romance de sonho transcende o olhar.
O romance de sonho é um romance dentro de um sonho,
É o romance por excelência,
Pois assim não pode nunca incluir um só olhar !
É o olhar, a contrastar com o jeito aberto do cabelo,
O movimento doce dos lábios,
Pois até as unhas mais escondidas na mão.
Um sonho de romance deve incluir todos estes detalhes
Numa figura feminina só,
Que nos lance brilho como uma estrela !
Pois bem sei de antemão, que um cheiro doce se tornará excessivo,
Uma carícia amorosa pesada, e um gentil elogio exigente e incomodativo.
Pois bem sei que caí no amor do século 21.
Pois bem sei que sou um fidalgo nos romances,
Um proxeneta do meu coração !
sábado, 18 de abril de 2009
Para lá do sol só há um mar de ouro.
Eu sei, porque juro aqui que o vi.
Brilhava como os teus olhos e posso dizer que o vi sorrir,
Para lá do que achas certo e racional.
Mas se vês nos teus olhos apenas um vazio,
O teu mar de ouro será apenas sangue a brotar
Mil homens a gritar
Pela fatuidade do destino.
terça-feira, 14 de abril de 2009
O pasto move-se sem vento,
O intento nefasto torna-se num humilde contemplamento.
As pessoas falam mas não as oiço,
Eu não falo e elas ouvem-me, eu choro e soa um riso acalorado.
Sou pequeno, mas sou amado.
Ouve-se o som do silêncio, mas eu gritei por fado.
Eu voo e só queria caminhar e grito e só queria suspirar.
Mas é a minha metamorfose.
Já o céu é azul, o nefasto intento não tem qualquer contemplamento,
E o sol brilha de dia e morre de noite.
Mas a minha alma ? Fugiu,
E sentou-se no pasto que se move sem vento,
Podia chorar, mas sorriu.
sexta-feira, 10 de abril de 2009
O céu vai-se pintar de uma cor,
De azul, ou cinzento, ou vermelho, ou de que quer que seja
e mesmo assim vai haver um mesmo céu,
Com essa mesma cor, qualquer que seja.
Os meus olhos vão-se abrir de uma cor,
Em constante mudança,
Em primorosa alternância entre o seu espectro,
E mesmo assim, haverão dois mesmo olhos,
Que se alternarão, com a sua majestosa delicadeza,
Entre o meu próprio e também seu espectro.
Que é de qualquer outro também.
O meu coração, que tomo como meu e certo,
Sente o mesmo que outro coração qualquer,
Que se encontra perto do íman, himen partido,
Que é só teu, que não vejo em qualquer outro ser.
Então pensar ser diferente pelo simples facto de o ser,
É um simples erro logístico.
É também, ( Oh, Deus ! ) admitir que o mundo é igual e entediante.
Mas num raio de sorte diz-se pelos caminhos calçados das ruas que viver é simplesmente sentir. Sentir diferente.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
A sua mãe sorriu, e o parteiro se rejubilou ao ver tão dotada criança,
que sorria de olhos abertos ao mundo,
mesmo depois de tão atribulada canseira.
Era uma quinta-feira, enublada quinta feira, e ao juízo se lançou,
Emudecido e nú, tal rico pequeno,
Como só se viu um tal coberto de feno.
Os seus olhos azuis, tolhidos de uma leveza de seda,
Cairam na sua tenra infância, em infame exuberância,
De um molho tenro de literatura.
Oh, salve-se o pequeno! Ele irou-se em pleno,
à luz de tanta reles cultura.
O mundo reluzia lá fora, um mundo cantante e ousado para ele,
E ao vê-lo ali assim, tão brilhante e convidativo,
Ardeu ao brilho dos olhos tal monte abusivo,
E saltou desesperado para o mundo que o esperava,
Em todo o lado, do outro lado.
Mas esse, que caia esse mundo,
Outrora tão livre e interessante,
Que se vê agora com tal murchesa incessante,
Entorpecido, pequeno e feio.
Principalmente feio, bem feio.
As suas barbas negras entrelaçavam-se pelas Ásias,
Onde ele acalmou toda a sua luta energética pela vida.
Agora, soava a louco, quando se abria em clamores,
Por entre os incensos odores que se dissipavam em redor,
Dizendo : " Vi Buda, vi Buda ! Deus meu, vi Buda ! "
E por entre os risos jocosos da multidão,
Destacou-se um bêbado senhor, que reclamou:
" E com quem estava Buda ? " Pensando para si :
"Oh, que personagem mais sizuda. "
E o nosso protagonista respondeu, bem seguro do que viu:
" Meu emborrachado amigo, ele estava pisando o seu umbigo,
Para o impedir de rebentar ! "
" E mais mil morfeus estavam debaixo dele, mortos, sem pele,
À vista todo o seu interior. "
E com mais dor que desagrado se viram os jocosos,
Agora moribundos furiosos,
Cheios de vontade de o dilacerar.
Decidiram-se no ataque,
mas, porém, no meio de toda aquela clarividência,
Ruiu em si e dissipou-se mesmo ali, naquela sala.
E em toda aquela aparência de feitiço,
Cruel e roliço, dissipante de tal desejo furioso,
A multidão dilacerou-se a si própria,
Desde o jovem mais ocioso ao renegado sem discórdia.
Paulo Oliveira
quarta-feira, 1 de abril de 2009
The Dead Dance of The Romance
All that romance,
Creased under the pillow of the bed.
They are, inside, my side, insight,
Dead apart in the stairs of the romance.
He should dance into the time in the hands of love,
In the thorned feelings created with no enfold.
The Dead Dance of The Romance.
Paulo Oliveira
segunda-feira, 30 de março de 2009
Estive em cor
O tempo escolheu este momento para o nosso encontro.
E que tonto pensamento padecer sem qualquer intento à luz da tua justiça.
Estive são dentro do Seu pensamento,
E o topo afiado era morte para mim. Agora, estou infermo,
E caio à tua fronte, deponho o meu som à morte,
E a sorte, de padecer sobre ti neste momento.
Eu Fi-lo feliz, e tive dois palmos de ar para respirar,
Mas enraivecido sufoquei nos teus braços.
E agora, oh Deus dos Demónios, diz-me razão do meu estado infermo,
Se fugi do pensamento para o dia eterno sem ar,
Que se encontra suspenso no limbo da minha alma.
Paulo Oliveira
domingo, 29 de março de 2009
Vamos cantar à luz da escuridão
Como na noite sem luar em Janeiro,
Em que te vi tão certa,
Descoberta a brilhar.
Londres, cidade sem luar,
E ainda tão cativo a passageiros,
Tantos como coveiros, a espelhar,
Em sete palmos de terra,
Oh injusta, cruel vida a te espelhar.
É o ventre, Lurline, da sétima arte,
Hedonismo à parte,
Não há possessão, e sou doce criança,
Com falta de um coração.
Lurline, tão anafórico,
Metáforico,
Como o sol a chuver do chão
Para o céu.
Já nem sou mais pessoa
E ainda me deixas em teu redor.
Tira esse véu de veludo,
E voa, para o céu sem luar.
Porque não há, na cidade do nevoeiro,
Um lago de Ballantines,
And expecting myself in there, smog country,
Near the slow signs.
E que cativante, que é,
Possuir o céu, sem estrelas,
E tê-las bem no fundo da mão.
E amor, então, então ?
Lurline,
and i may talk in your native language,
Such a sunshine day,
The brightest of the smiles,
And your cative heart.
Where's the moonlight, we need the moonlight.
Aqui, em Londres,
Vou-me afogar em mim mesmo.
E esquecer-me de ser eu,
Numa noite com luar.
É aqui, que vou cair,
Lurline, e talvez aprender a gostar,
De ver, e tentar amar,
Um céu, sem estrelas, Lurline,
Só e puro com o teu olhar.
quarta-feira, 25 de março de 2009
Greg dizia...
É um cão sem pêlo.
Já a minha mãe sempre disse,
Que não há homem que não que seja porco.
Ou todos os homens são porcos, pela filosofia.
Ou nem todos, e depois dizia Kurt que homem não-porco,
É em real aparência uma mulher.
E eu já disse, que o homem é um ser podre.
E pensamento vindo de podridão, deve-se adquirir com naturalidade.
Há-de haver o dia, dizia Martin Luther King,
Que um e outro vão dar a mão.
Com um aperto de mão ninguém protege as costas,
Dizia depois um amigo do meu pai.
Em refuta do pensamento de King.
E já bebi e falei, e podia ser o Gin a falar, que o homem é uma bactéria gigante.
Era o gin a falar, concerteza, não há homem em tom de roxo,
Nem verde, como o meu professor de biologia as faz enunciar.
E Torga comparou homem a Bichos,
Todos estes com letra maiuscula,
Porque a mulher é a obra perfeita do nosso Deus masculino.
Analogénico.
Um vazio no coração. E sois,
Um Brahma conceituado,
Saido da boca de um Deus irado,
Animalesco, escasso.
Por muito que a poeira do solo nos teus pés guarnecida se exalte,
Não deixa de ser mais infímos pares de olhos a fitar-te.
E a amar-te, a desejar-te, leve mas profundamente.
Irados, mas resignantes.
E da poeira dos teus pés e dos fluídos que lanças,
Chegam por ti mesmo à tua porta lembranças,
Da falha bem proporcionada,
Holocaustica,
Essa vida.
terça-feira, 24 de março de 2009
E agora só sonho nesse medonho encanto,
Que deponho neste manto de emaranhados,
E de mal-retornados, sonhos, esses sonhos.
E por quanta viagem já paguei,
De volta da minha alma,
que padece tão calma,
Neste confim de serenidades.
Se suponho ser mar, então sou rio,
E padeço terno e frio,
Por entre o sonho de ser o sol.
E se sonho ser o sol,
Acabo como uma brisa,
Foliada e fria,
Com travo a destilado alcool.
Se materializo, perco-me por miragens.
Se me resigno, perco-me no sonho de materializar miragens.
E se me perco no sonho de materializar miragens, acabo por o fazer,
E por sonhar resignado, acabo bem acordado e sem nada que fazer.
Já paguei tanta volta da minha alma,
E caí em mim por engano,
Que nem sei se me rodeia o mundo ou em majenta, um fraco pano de fundo.
Seja como for, sou um actor poeta sem preconceito,
Sem sonhos no coração
Nem arranhões marcados no peito.
E acaba a cena da redenção.
Paulo Oliveira
sábado, 21 de março de 2009
And over tomorrow, i gazed a stare, while it kept coming
Running over the vines and the pines, and the shadows upon itself.
Wayne was being created, like a simphony in the making,
With harsh notes and plain devote sentimentalism,
For whom the sentimentalism is just nothing more than anything,
As it is itself.
As i crumbled over the death wishes of the crowd,
And the glory sound of evil and terror, and as Jesus was being faded
Into a blooded wound, i keep steady, feeling more than the incest
Between my heart and my doom.
Tomorrow kept coming, faster than the morning blast,
And soon it was so near, that the world shivered,
And recreated itself in his own magesture.
Oh, our sins...
World has his saviour.
quinta-feira, 12 de março de 2009
O Burlesco do Chiado de Lisboa
Um burlesco violeta, uma ruína de jovens rapazes,
Um poço infindável de pesetas e tostões a brotar pela noite.
Uma ruína de jovens rapazes,
E Deus, eu sei, eu sou um deles.
Hoje, já nao há no Chiado o mercado do romance,
E já ninguém se perde nas ruínas do Burlesco.
As ruínas já não arruinam em transe nenhum jovem passageiro no Chiado de Lisboa.
Paulo Oliveira
terça-feira, 10 de março de 2009
Ela saiu do seu quarto, qual donzela encantada,
Atravessou a sala parecendo desesperada,
Saiu à rua e gritou melodicamente, num jeito demente,
Deu dois passos de dança,
E ajeitou no fim a longa trança vermelha,
E o sol conjurou-se em vénias.
Nada mais havia a fazer,
E foi aí que eu a conheci.
Ela volta ao seu quarto,
E olha-se ao espelho.
O quarto entra em combustão à medida que ela arranja o seu cabelo,
E eu cada vez mais teço em mim a opinião,
Que sou apenas um estranho com os pés no chão.
sábado, 7 de março de 2009
E estas nuvens terrenas, que eu vejo, o que são Ishmael ?
Serão chuva ? Serão sangue ? Serão Bourbon com travo a mel ?
Serão uma chama extinta que ainda orbita entre nós ?
Oh, Ishmael, diz-me, porque a terra é veludo,
Diz-me porque não se molha com as lágrimas que fazes cair sobre o chão.
Porque é o céu negro e ainda assim o horizonte teima em brilhar, incessantemente,
Sem fim aparente, até onde chega o olhar ?
Diz-me, Ishmael, sem rodeios, porque vejo os olhos dela sem qualquer distorção,
E caminho para o desconhecido, e eles teimam em brilhar.
Paulo Oliveira
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Poema Intercalado.
Quando nascíamos, e depois vivíamos, e assim éramos.
Agora, com a cultura e a corporização,
E outras quantas coisas novas,
primeiro somos numa cabeça,
E depois vivemos e morremos.
Bem que somos o que nos fazem ser,
E diz-se que para viver, não é preciso só um.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Numa sexta-feira um jogo de cartas,
E um brinde à minha tristeza.
E venha segundo copo de aguardente,
E um brinde à pobreza.
E venha o terceiro, e o quarto,
E um brinde ao dia que correu mal.
E venha o quinto copo de aguardente,
E um brinde à miséria mundial.
E venha o sexto copo de aguardante,
E um brinde aos desaires do senhor ao fundo do café.
E venha o sétimo copo de aguardente,
Pela chuva fria que cai no meu pé.
E venha o oitavo e o nono,
Que aos pares caem melhor.
E venha o décimo copo de aguardente,
Pela parede não ter cor.
E venha o décimo primeiro copo de aguardente,
Para ajudar à visão.
E venha o décimo segundo copo de aguardente,
Que me dói o coração.
E venha a última rodada,
Que a cabeça já está cansada.
E vai o último, pelo desportivismo,
E vou para casa, sem mais saudosismo,
Já que estou levemente embriagado.
Paulo Oliveira
Cai-se nisto e naquilo
Ou talvez, à luz do povo,
demónio meio-morto a assombrar nada nem ninguém nos meus umbrais.
Já para filosofias e metafísicas,
É um agoiro de horror e destruição,
E para mim só é um pássaro morto,
Nos umbrais junto ao portão.
É um pássaro, preto ou não, morto nos umbrais junto ao portão.
Está morto, falecido, nem voa nem defeca em nenhuma testa.
Só está ali, falecendo e desmembrando,
morto e bem morto,nos umbrais junto ao portão.
E o pássaro morto até teria bom coração,
Mas bem que este mundo barão se tratou de o arranjar.
Agora é um passáro morto nos meus umbrais,
com os olhos negros, devassos e mortais,
só isso e nada mais.
Paulo Oliveira