terça-feira, 24 de março de 2009

Já depus por ti a tua prece.
E agora só sonho nesse medonho encanto,
Que deponho neste manto de emaranhados,
E de mal-retornados, sonhos, esses sonhos.

E por quanta viagem já paguei,
De volta da minha alma,
que padece tão calma,
Neste confim de serenidades.
Se suponho ser mar, então sou rio,
E padeço terno e frio,
Por entre o sonho de ser o sol.
E se sonho ser o sol,
Acabo como uma brisa,
Foliada e fria,
Com travo a destilado alcool.

Se materializo, perco-me por miragens.
Se me resigno, perco-me no sonho de materializar miragens.
E se me perco no sonho de materializar miragens, acabo por o fazer,
E por sonhar resignado, acabo bem acordado e sem nada que fazer.

Já paguei tanta volta da minha alma,
E caí em mim por engano,
Que nem sei se me rodeia o mundo ou em majenta, um fraco pano de fundo.
Seja como for, sou um actor poeta sem preconceito,
Sem sonhos no coração
Nem arranhões marcados no peito.

E acaba a cena da redenção.


Paulo Oliveira

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