sábado, 7 de março de 2009

O céu paira pela Terra no bréu da noite.
E estas nuvens terrenas, que eu vejo, o que são Ishmael ?
Serão chuva ? Serão sangue ? Serão Bourbon com travo a mel ?
Serão uma chama extinta que ainda orbita entre nós ?
Oh, Ishmael, diz-me, porque a terra é veludo,
Diz-me porque não se molha com as lágrimas que fazes cair sobre o chão.
Porque é o céu negro e ainda assim o horizonte teima em brilhar, incessantemente,
Sem fim aparente, até onde chega o olhar ?
Diz-me, Ishmael, sem rodeios, porque vejo os olhos dela sem qualquer distorção,
E caminho para o desconhecido, e eles teimam em brilhar.

Paulo Oliveira

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