sexta-feira, 24 de abril de 2009

Um Ode ao Romancismo

E sai um ode ao romancismo, aqui bem descrito,
Como deve ser, e bem estruturado, como é suposto,
Pelo seu ardente autor.

O romance começa no olhar,
Pelo menos,
Ao que parece,
Assim o faz.
Revolve-se nele, gesticula por entre todos os tons,
Os brilhos, a púlpebra que semi ascende num tom apaixonado,
Ou descende num tom doce e aprasivo,
E lança-se fulminante sobre o outro olhar,
Que o fita em extâse.

Então, no meu caminho de casa para a escola,
Fito dez vezes, apaixono-me por metade e sonho por todas elas.
Conheço, enfim, sou amigo de imensa gente,
Bela, ordeira, decente,
Que nem um quarto de vezes se apaixona como eu por dia ! Eu cá,
vivo do sonho.

O sonho é um romance. Mas e um romance de sonho ?
Um romance de sonho transcende o olhar.
O romance de sonho é um romance dentro de um sonho,
É o romance por excelência,
Pois assim não pode nunca incluir um só olhar !
É o olhar, a contrastar com o jeito aberto do cabelo,
O movimento doce dos lábios,
Pois até as unhas mais escondidas na mão.
Um sonho de romance deve incluir todos estes detalhes
Numa figura feminina só,
Que nos lance brilho como uma estrela !

Pois bem sei de antemão, que um cheiro doce se tornará excessivo,
Uma carícia amorosa pesada, e um gentil elogio exigente e incomodativo.
Pois bem sei que caí no amor do século 21.
Pois bem sei que sou um fidalgo nos romances,
Um proxeneta do meu coração !

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